Shares
0

Related stories

Como as emissões de gases de efeito estufa da República Democrática do Congo (RDC) irão evoluir à medida que o país cumprir os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris? Como esse cenário se compara com o cenário tendencial? E como fica isso realmente em termos práticos? Uma nova ferramenta digital interativa, a SimDRC, deixa o país um passo mais perto da resposta a essas perguntas. Essa plataforma permite aos planejadores projetar as emissões de carbono em diferentes cenários de desmatamento, oferecendo maior flexibilidade para a determinação da melhor forma de cumprir os compromissos climáticos do país, conhecidos como Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês).

Com a SimDRC, os usuários podem comparar um cenário tendencial com um cenário baseado em metas de NDC, que são atualizadas periodicamente durante o processo de execução dos compromissos. A ferramenta se soma a plataformas semelhantes desenvolvidas para o Peru e o Brasil como parte do Estudo Comparativo Global sobre REDD+ (GCS REDD+) coordenado pelo Centro de Pesquisa Florestal Internacional e Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (CIFOR-ICRAF).

Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Centro de Inteligência Territorial, a SimDRC aumenta a capacidade das autoridades de tomar decisões bem fundamentadas. “Ao simular diferentes cenários com base em necessidades específicas, os planejadores podem obter dados valiosos para a formulação de políticas e o manejo florestal sustentável”, afirmou Richard Van der Hoff, professor da UFMG que participou do desenvolvimento da ferramenta.

“Nosso objetivo é ajudá-los a estimar o esforço necessário para cumprir os compromissos da NDC e explorar o impacto de diferentes padrões de desmatamento nas emissões provenientes de mudanças no uso da terra e no setor florestal. Isso contribuirá para um melhor planejamento da conservação e um manejo florestal sustentável mais eficaz.”

Uma metodologia de modelagem integral

A SimDRC se baseia em um modelo que incorpora um amplo leque de características ambientais e socioeconômicas, inclusive hidrografia, elevação do terreno, solo, vegetação, biomassa, cobertura arbórea, perda florestal, temperatura, precipitação, densidade demográfica, áreas protegidas, concessões de exploração madeireira e de mineração, e infraestruturas como minas, ferrovias, rodovias e assentamentos.

Os usuários podem gerar projeções com base em três cenários. O primeiro, um modelo “tendencial”, define uma linha de base para a medição das reduções de emissões em relação ao Acordo de Paris. Nesse cenário, a NDC da RDC se compromete a reduzir o total de emissões em 21% e a mudança no uso da terra e o setor florestal em 28% em relação à sua linha de base até 2030. Projeta-se um aumento no desmatamento de 852.000 hectares em 2021 para mais de 1,1 milhão de hectares até 2030.

Um segundo cenário tendencial adota a taxa média de desmatamento de cinco anos para o período 2016-2020 para elaborar projeções para o período 2021-2030. De acordo com esse cenário, o desmatamento se manterá estável em aproximadamente 639.000 ha.

O terceiro cenário, baseado na NDC e conhecido como Estratégias Regionais de Desenvolvimento Rural de Baixa Emissão, prevê um aumento mais lento no desmatamento, que saltará de 613.000 hectares desmatados em 2021 para 832.000 hectares até 2030.

Em cada caso, os usuários podem ajustar as projeções de desmatamento até o nível distrital, uma característica determinante, dado que os vetores do desmatamento variam nas diferentes regiões do país.“ Isso é de grande importância, pois os vetores do desmatamento variam em diferentes partes do país”, afirmou Van der Hoff.

Foto: Desmatamento próximo a Yangambi, RDC. Foto de Axel Fassio / CIFOR-ICRAF

Compreendendo a dinâmica do desmatamento

A República Democrática do Congo é responsável pela maior parcela da perda florestal na Bacia do Congo, que abrange seis países. Entre 2001 e 2020, cerca de 11 milhões de hectares de floresta foram desmatados, de acordo com um estudo de Van der Hoff e seus colegas.

“Embora a agricultura itinerante de pequena escala seja amplamente citada como o principal vetor do desmatamento, as oscilações nas taxas de desmatamento destacam a importância de entender os vetores específicos do local”, explicou Van der Hoff.

Por exemplo, a exploração de infraestrutura – como a abertura de novas minas – pode atrair pessoas em busca de emprego, que se fixam no local e passam a se dedicar à agricultura, o que acarreta o aumento da perda florestal. Enquanto isso, em zonas de conflito na parte oriental do país, o desmatamento pode ocorrer quando pessoas deslocadas pela violência se mudam para novas áreas. A agricultura em larga escala e as concessões de exploração madeireira também podem impulsionar os padrões migratórios, alterando os padrões de assentamento e desmatamento. A NDC da RDC pressupõe que os atuais conflitos serão resolvidos; entretanto, essas incertezas geopolíticas permanecem além do controle dos planejadores florestais. Com a SimDRC, eles podem contabilizar a perda florestal no nível local e fazer projeções mais precisas do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. “No futuro, a SimDRC poderá ser modificada para incluir outros elementos”, disse Van der Hoff.

“A vantagem dessa ferramenta é que se as autoridades quiserem atualizar e fazer melhorias, ela será adaptável”, afirmou Van der Hoff. “Mas isso é trabalho para o futuro. Por enquanto, o importante é que haja uma ferramenta com a qual as autoridades possam trabalhar.”


Agradecimentos

Este trabalho foi realizado como parte do Estudo Comparativo Global sobre REDD+ do Centro de Pesquisa Florestal Internacional (www.cifor.org/gcs). Os parceiros financeiros que apoiaram esta pesquisa incluem a Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad, Grant No. QZA-21/0124), a International Climate Initiative (IKI) do Ministério Federal Alemão do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMU, Grant No. 20_III_108) e o Programa de Pesquisa sobre Florestas do CGIAR, Árvores e Agrofloresta (CRP-FTA), com apoio financeiro de doadores do Fundo CGIAR.

 

Copyright policy:
We want you to share Forests News content, which is licensed under Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International (CC BY-NC-SA 4.0). This means you are free to redistribute our material for non-commercial purposes. All we ask is that you give Forests News appropriate credit and link to the original Forests News content, indicate if changes were made, and distribute your contributions under the same Creative Commons license. You must notify Forests News if you repost, reprint or reuse our materials by contacting forestsnews@cifor-icraf.org.
MENU CLOSE ×