Agroflorestas e restauração são destaque em oficina com agricultores da Amazônia brasileira

Cerca de duzentos participantes se reuniram para um workshop de dois dias em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, para discutir sistemas agroflorestais
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Pesquisadores do CIFOR-ICRAF explicam aos agricultores o que é armazenamento de carbono. CIFOR-ICRAF Brasil/Lorena Tabosa

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Restauração ecológica, sistemas agroflorestais e armazenamento de carbono estiveram em foco durante uma oficina com agricultores familiares e líderes locais em Tomé-Açu, no nordeste do Pará, na Amazônia brasileira, nos dias 10 e 11 de agosto de 2022.

Durante os dois dias do evento – que contou com a presença de cerca de 200 pessoas – pesquisadores e técnicos do Centro Internacional de Pesquisa Florestal e Agroflorestal (CIFOR-ICRAF) e da The Nature Conservancy (TNC) conduziram atividades educacionais e responderam dúvidas sobre agroflorestas, agroecologia, restauração ecológica e carbono.

Muitos participantes estavam interessados em aprender sobre o mercado de carbono e descobrir que o plantio de árvores em suas propriedades tinha o potencial de gerar renda através do armazenamento de carbono e da venda de créditos de carbono. “O carbono será uma renda extra, um benefício bônus das áreas onde estamos produzindo”, disse Almir Pantoja Mendes, agricultor parceiro do CIFOR-ICRAF no projeto SAF Dendê, que envolveu a produção de óleo de palma agroflorestal em Tomé-Açu.

Mendes também enfatizou a importância de manter a produção agrícola na vanguarda das famílias de agricultores, já que ela assegura renda fixa para os pequenos agricultores a curto, médio e longo prazo. Para ele, o Sistema agroflorestal causou um grande impacto em sua prática agrícola, e ele está ansioso para expandir seu uso do sistema.

“Sou agricultor há sete anos e aprendi sobre o sistema agroflorestal com [CIFOR-]ICRAF em 2018”, disse ele. “Tenho um hectare [em agrofloresta] e quero estabelecer mais quatro hectares. Já produzo cacau, cupuaçu e açaí. Agora, quero acrescentar dendê e pimenta-do-reino nas outras áreas.”

Muitos agricultores perceberam que já estavam praticando a agrofloresta sem identificá-la como tal. “Eu produzo açaí, cacau, cupuaçu, pimenta e outras culturas, em quantidades menores”, disse Edilson Andrade da Silva. “Nós também fazemos um pouco de reflorestamento. Mas até esta oficina, ninguém tinha nos explicado o que é agrofloresta. A gente estava fazendo por conta propria.”

Maria Patrícia Araújo de Souza compartilhou uma experiência semelhante e notou como a oficina despertou sua curiosidade para avançar seus conhecimentos. “Quero saber mais sobre reflorestamento, acho isso muito interessante”, disse ela. “Gosto muito da natureza, do reflorestamento, tanto que quase não mexemos na mata no nosso terreno. Está bem preservada.”

   O agricultor Almir Mendes conversou sobre os resultados de seu SAF com os demais agricultores. CIFOR-ICRAF Brasil/Lorena Tabosa
   Agricultores familiares discutem a implantação de sistemas agroflorestais na Amazônia. CIFOR-ICRAF Brasil/Lorena Tabosa

Acelerando as agroflorestas e a restauração

Durante a oficina, o CIFOR-ICRAF e a TNC apresentaram o projeto Acelerador de Agroflorestas e Restauração, uma parceria das instituições com financiamento da Amazon. O Acelerador visa oferecer novas oportunidades econômicas aos agricultores familiares no Pará através da validação, verificação e emissão de créditos de carbono de alta qualidade, vindos da implementação de sistemas agroflorestais (SAFs) e áreas de restauração ecológica.

Toda a produção agrícola dos SAFs servirá como fonte de renda fixa para os pequenos produtores. As famílias de agricultores terão a oportunidade de codesenhar o sistema a ser implementado em suas propriedades e escolher entre uma variedade de espécies, como cacau, cupuaçu, dendê e açaí.

Como outros projetos para promover práticas sustentáveis, o Acelerador contará com parcerias locais, tanto com representantes dos agricultores quanto com instituições públicas e privadas que tenham iniciativas junto a essas famílias. Dessa forma, durante o evento foram eleitos três representantes de agricultores familiares para integrar o conselho consultivo do projeto. Os agricultores escolheram Adriana Evangelista Moraes, Antônio Vieira dos Santos e Elizete Moreira Sousa para representá-los no conselho estadual, que realizará reuniões regulares em Belém, capital do Pará.

O conselho existe para garantir que as ações sejam desenvolvidas e gerenciadas com base no diálogo contínuo com os agricultores e instituições locais, tais como cooperativas, associações, agências governamentais e organizações não governamentais. “Temos metas ambiciosas de engajar 3.000 agricultores familiares no Pará, portanto é essencial estabelecer essas parcerias”, disse Andrew Miccolis, coordenador do CIFOR-ICRAF no Brasil. “Queremos influenciar positivamente as políticas públicas e privadas para nos alinharmos cada vez mais aos sistemas agroflorestais, à agroecologia e à agricultura familiar.”

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